Geração de 80 em polvorosa

24/05/17


Ontem, a Ana Garcia Martins, autora do blog A Pipoca mais doce, resolveu divulgar ao mundo que o seu segundo nome é Margarida, num post que deu origem a comentários deliciosos sobre os nomes da geração nascida nos anos 80. 
À distância, temos de admitir que a grande maioria dos nomes não soa lá muito bem mas acho que somos demasiado duros nas críticas, porque, se reflectirmos sobre o assunto, concluímos que é um fenómeno perfeitamente natural. Os nomes giros são os de "agora". Os nomes lindos são os que se usam neste momento. Mas, exceptuando os nomes intemporais, a passagem dos anos acaba sempre por afectar o mais in dos nomes, sobretudo quando falamos dos nomes femininos, que se têm mostrado muito mais propícios ao desuso.
Os pais dessa geração de 80 estavam tão horrorizados quanto nós com a possibilidade de atribuir às suas meninas um nome mau. Não queriam nomes que lembrassem os tempos "da outra senhora", não queriam os nomes que lhes calharam por via do apadrinhamento, não queriam os nomes da geração das suas tias, queriam livrar-se dos nomes de inspiração religiosa das avós e, portanto, aproveitaram o frenesim cultural da época para escolher um nome mais moderno. Hoje, Vanessa pode não parecer a escolha mais elegante, mas pensemos que, naquela altura, a alternativa podia muito bem ser Deolinda.
No que respeita aos compostos, é indesmentível que Cátia Vanessa combina dois nomes fortes, que não têm nada a ver um com o outro. Mas, novamente, acho que há queixas demasiado injustas a respeito de combinações terminadas em Alexandra, Sofia ou Cristina.
A meu ver, alguns dos nomes da geração de 80 são maus nomes para as crianças nascidas em 2017. Mas não fazem má figura numa mulher de 30 anos, porque estão muito enquadrados na sua geração. E, sobretudo, esqueçam a ideia de que os nomes aristocráticos de agora é que teria sido ideia de génio, porque numa sociedade recém-saída de uma ditadura, esses nomes não eram a primeira, nem a segunda, nem a terceira opção!
Assim, caras colegas da geração de 80, não tenham vergonha do vosso nome, porque são poucas as mulheres à vossa volta que têm legitimidade onomástica para se acharem com um nome melhor. E mais: as gerações anteriores e a seguinte [ai a seguinte!!!] têm tanta razão de queixa quanto vocês! 😜